Pesquisadores criam tecidos vivos em impressora 3D


Estudo publicado na revista "Nature" contou que cientistas implantaram o tecido vivo com sucesso em animais

Londres – Cientistas nos Estados Unidos implantaram com sucesso em animais estruturas de tecido vivo fabricadas com uma “sofisticada e melhorada” impressora 3D, segundo revelou um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista britânica “Nature”.

A pesquisa, desenvolvida pelo “Wake Forest Baptist Medical Center”, na Carolina do Norte, representa um avanço para a medicina regenerativa, pois sugere que estas estruturas podem ser implantadas em pacientes futuramente, superando “vários obstáculos técnicos” atuais, destacaram os responsáveis pelo estudo em comunicado.

Os especialistas imprimiram estruturas cartilaginosas, ósseas e musculares “estáveis” e, após implantá-las em roedores, amadureceram até se transformarem em tecido funcional, enquanto desenvolviam um sistema de vasos sanguíneos.

Embora as novas estruturas impressas ainda não estejam prontas para serem implantadas em pacientes, os primeiros resultados do estudo apontam que elas têm “o tamanho, a solidez e a funcionalidade adequadas para serem utilizadas em humanos”.

“Esta nova impressora de tecidos e órgãos é um avanço importante em nosso objetivo de fabricar tecido de reposição para pacientes”, explicou Anthony Atala, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa do Wake Forest (WFIRM, sigla em inglês).

Segundo o especialista, a “bioimpresora 3D” pode fabricar “tecido estável em escala humana de qualquer forma e tamanho”, o que permitiria “imprimir tecido vivo e estruturas de órgãos para a implantação cirúrgica”.

Para este trabalho, o WFIRM contou com financiamento do Instituto de

Medicina Regenerativa da Forças Armadas Americanas, que pretende aplicar esta tecnologia em soldados feridos em combate, dada a escassez de doadores de tecidos para implantes.

A precisão desta nova impressora 3D significa que, em um futuro próximo, seria possível replicar fielmente os tecidos e órgãos mais complexos do corpo humano.

Por enquanto, de acordo com os pesquisadores, as impressoras atuais não podem reproduzir estruturas que tenham o tamanho ou a solidez necessária para serem implantadas no corpo.

O chamado Sistema Integrado de Impressão de Tecido e Órgão (ITOP), desenvolvido pelo WFIRM durante os últimos dez anos, superou estas limitações, comentou Atala.

O ITOP usa tanto materiais plásticos como biodegradáveis para criar a “forma” do tecido e os géis com base de água que sustentam as células.

Além disso, a máquina 3D fabrica uma forte estrutura externa temporária, o que evita que ocorram danos nas células durante o processo de impressão.